Climatério e Menopausa: compreender essa fase é cuidar da saúde da mulher

Você sabia que a mulher já nasce com cerca de 1 a 2 milhões de folículos ovarianos?

Os folículos ovarianos são pequenas bolsas que ficam dentro dos ovários e guardam os óvulos. A mulher nasce com uma quantidade determinada desses folículos, que vai diminuindo naturalmente ao longo da vida. A cada ciclo menstrual, alguns folículos começam a se desenvolver, mas geralmente apenas um óvulo e liberado para uma possível gravidez.


Essas estruturas são responsáveis pelo potencial reprodutivo feminino e diminuem naturalmente ao longo da vida. Na época da primeira menstruação (menarca), restam aproximadamente 300 a 500 mil folículos, e essa reserva continua reduzindo progressivamente até o esgotamento da função ovariana.

Esse processo faz parte do envelhecimento natural do organismo feminino e está diretamente relacionado ao climatério, uma fase marcada por importantes transformações hormonais, físicas e emocionais.

Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma etapa natural da vida da mulher, o climatério não é uma doença. Trata-se do período de transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva, geralmente iniciado por volta dos 40 anos e que pode se estender até os 65 anos.

Dentro desse período ocorre a menopausa, um marco biológico caracterizado pela interrupção definitiva da menstruação. Seu diagnóstico é realizado após 12 meses consecutivos sem ciclos menstruais, sem outra causa que explique essa ausência. Em média, a menopausa ocorre por volta dos 51 anos, embora possa acontecer antes ou depois dessa idade.

Em algumas mulheres, a menopausa pode surgir antes dos 40 anos, situação conhecida como insuficiência ovariana prematura ou menopausa precoce. Nesses casos, o acompanhamento médico é fundamental para avaliação adequada e prevenção de possíveis complicações relacionadas à saúde óssea, cardiovascular e reprodutiva.

Um fato curioso é que a menopausa é extremamente rara no reino animal. Entre mais de 5.000 espécies de mamíferos conhecidas, apenas os seres humanos e algumas espécies de baleias dentadas como orcas, belugas, narvais e baleias piloto passam por um período prolongado de vida após o fim da fase reprodutiva.

Sintomas mais conhecidos

Entre as manifestações mais frequentes do climatério estão os fogachos, popularmente chamados de ondas de calor. Esses episódios costumam ser descritos como uma sensação súbita de calor intenso, principalmente na face, pescoço e tórax, frequentemente acompanhada por vermelhidão da pele, transpiração excessiva e palpitações.

A intensidade e a frequência variam bastante entre as mulheres. Algumas apresentam episódios esporádicos, enquanto outras podem vivenciá-los diversas vezes ao longo do dia e da noite. A duração também varia, podendo durar de poucos segundos até cerca de 30 minutos.

As ondas de calor estão relacionadas principalmente à diminuição dos níveis de estrogênio, hormônio que participa do controle da temperatura corporal. Alguns fatores podem desencadear ou intensificar esses sintomas, como:

Alterações que vão além das ondas de calor

Embora os fogachos sejam os sintomas mais conhecidos, a redução hormonal do climatério pode afetar diferentes aspectos da saúde.

Muitas mulheres relatam alterações do sono, incluindo dificuldade para adormecer, despertares frequentes durante a noite e sensação de sono não reparador. Os fogachos noturnos podem contribuir para essas alterações, causando fadiga e impactando a rotina diária.

Mudanças emocionais também podem ocorrer. Irritabilidade, ansiedade, oscilações de humor, diminuição da disposição e maior sensibilidade emocional são queixas frequentes durante essa fase. É importante lembrar que esses sintomas variam de intensidade e não devem ser ignorados quando interferem na qualidade de vida.

Algumas mulheres ainda percebem alterações na memória, na atenção e na capacidade de concentração durante climatério. Embora esses sintomas sejam geralmente temporários, merecem atenção quando afetam atividades acadêmicas, profissionais ou sociais.

Saúde óssea: um cuidado para o presente e para o futuro

O estrogênio desempenha papel fundamental na manutenção da massa óssea. Com a redução desse hormônio, ocorre aceleração da perda de densidade mineral dos ossos, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose.

Por esse motivo, hábitos saudáveis tornam-se ainda mais importantes nessa fase da vida. Uma alimentação rica em cálcio, níveis adequados de vitamina D, exposição solar segura e prática regular de exercícios físicos ajudam a preservar a saúde óssea e reduzir o risco de fraturas.

Saúde cardiovascular após a menopausa

As doenças cardiovasculares representam uma das principais causas de morbidade e mortalidade entre as mulheres. Após a menopausa, a redução dos níveis de estrogênio pode favorecer alterações nos níveis de colesterol, na pressão arterial e na função dos vasos sanguíneos.

Por isso, a adoção de hábitos saudáveis, o controle dos fatores de risco e o acompanhamento periódico da saúde tornam-se medidas fundamentais para a prevenção de doenças cardíacas.

Saúde íntima e sexual

As alterações hormonais também podem afetar a saúde genital e sexual. A diminuição do estrogênio pode causar secura vaginal, irritação, redução da lubrificação e desconforto durante as relações sexuais.

Essas condições, conhecidas como síndrome geniturinária da menopausa, podem impactar o bem-estar, a autoestima e a qualidade de vida. Felizmente, existem estratégias e tratamentos capazes de aliviar esses sintomas quando necessário.

Alimentação e atividade física

A adoção de hábitos saudáveis pode contribuir significativamente para o bem-estar durante o climatério. Uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, proteínas de qualidade e fontes de cálcio, auxilia na prevenção de doenças crônicas e na manutenção da saúde geral.

A prática regular de atividade física traz benefícios amplamente reconhecidos, incluindo:

• Preservação da massa óssea e muscular;
• Redução do risco cardiovascular;
• Controle do peso corporal;
• Melhora da qualidade do sono;
• Redução dos sintomas de ansiedade e estresse;
• Aumento da disposição e da qualidade de vida.

Também é recomendável reduzir o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, álcool e outras substâncias que possam agravar alguns sintomas do climatério.

Acompanhamento em saúde faz diferença

Nem todas as mulheres precisarão de tratamento específico durante o climatério. Entretanto, algumas podem se beneficiar de abordagens individualizadas, incluindo terapia hormonal, quando bem indicada e avaliada por profissionais de saúde.

Além disso, esse período é uma oportunidade importante para reforçar cuidados preventivos, como consultas ginecológicas regulares, rastreamento do câncer de mama e do câncer do colo do útero, acompanhamento da saúde cardiovascular e avaliação da saúde óssea quando necessário.

Atualmente, muitas mulheres passam mais de um terço da vida após a menopausa. Apesar de atingir milhões de mulheres em todo o mundo, o climatério ainda é cercado por mitos, preconceitos e desinformação. Isso demonstra a importância de compreender essa etapa não como um fim, mas como uma nova fase que pode ser vivida com saúde, autonomia e qualidade de vida.

Autora: Sueli dos Reis

Junho/2026

Bibliografia:

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Atenção à Mulher no Climatério/Menopausa. Brasília: Ministério da Saúde, 2008.

ELLIS, S.; CROFT, D. P. et al. The evolution of menopause in toothed whales. Scientific Reports, v. 8, n. 1, 2018.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Manual de Orientação: Climatério. São Paulo: FEBRASGO, 2024.

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