Transtorno do Espectro Autista
Definição e epidemiologia
Em termos bastante simplificados, TEA (transtorno do espectro autista) é um transtorno que prejudica a comunicação social do indivíduo, fazendo parte dos ditos transtornos do neurodesenvolvimento. O termo “espectro” indica que há pacientes mais graves e pacientes menos graves, sendo a manifestação da doença bastante variável de indivíduo para indivíduo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o TEA afeta 1 em 160 crianças (dados de 2019). É mais frequente em meninos do que em meninas, em uma proporção de 2:1 ou 3:1, a depender da literatura.
Qual a causa?
Existem causas genéticas (vários genes envolvidos) e existem causas ambientais. Entende-se que a atuação conjunta desses fatores causaria modificações em certos circuitos cerebrais, o que explicaria o surgimento do transtorno.
As causas ditas ambientais são:
* idade elevada dos pais (mãe ≥ 30 anos e pai ≥ 40 anos);
* doenças maternas prévias à gestação como: hipertensão, sobrepeso/obesidade;
* fatores maternos durante a gestação, como: uso de certos medicamentos, hipertensão, sobrepeso/obesidade, pré-eclâmpsia.
Diagnóstico
O TEA costuma ser diagnosticado nos dois primeiros anos de vida. Normalmente, os próprios pais percebem atraso no desenvolvimento e levam a criança ao pediatra ou ao neurologista. Alguns exemplos dessas alterações são: atraso no desenvolvimento da fala, ausência de contato visual, ausência de resposta ao chamado do nome, fixação da atenção em objetos específicos, dentre outros.
O TEA apresenta curso crônico. Uma criança autista tornar-se-á um adulto autista, porém com menos prejuízos sociais, pois estes vão diminuindo com o auxílio das terapias multidisciplinares descritas no tratamento.
Não é incomum ocorrerem comorbidades ao TEA, como transtornos de humor, de ansiedade, síndromes psicóticas, problemas com o sono, obesidade, alterações gastrointestinais, dentre outros.
Características do transtorno
A comunicação social é deficiente, o linguajar é empobrecido, a fala é monótona, há pouca expressão facial e pouca expressão de afeto. O indivíduo não inicia conversas, não percebe as emoções dos outros, não compreende linguagem figurada, entendendo conversas de forma literal.

Apresenta dificuldade em fazer amigos, pois não brinca em grupo, mantém-se em seu próprio mundo. Não aponta e nem compartilha objetos. Repete frases, palavras ou músicas.
Outras características são: dificuldade em sair da rotina, seja alimentar (come sempre os mesmos alimentos), seja de sono ou de atividades do dia a dia; interesses restritos, focando sempre nas mesmas atividades e objetos.
Quanto ao aspecto motor, pode apresentar movimentos repetitivos com as mãos e anormalidades na postural corporal. Expressa gestual empobrecido.
Em relação a estímulos sensoriais, pode apresentar hipo ou hiper-reatividade, podendo incomodar-se com determinados sons ou texturas e podendo ter alta tolerância à dor ou a mudanças de temperatura.
Relembrando que, por ser um espectro, nem todos os pacientes apresentarão deficiência em todas essa áreas e nem sempre o grau de acometimento dessas deficiências será elevado.
Importante ressaltar que, quando atingem a idade adulta, os indivíduos com TEA, via de regra, já aprenderam a “driblar” muitas dessas dificuldades, conseguindo lidar muito melhor com os desafios sociais que a vida lhes proporciona.
Tratamento
Em relação a tratamento farmacológico, não há, até o momento, medicação que trate o autismo. O que existem são opções de medicamentos para controlar sintomas associados, como insônia, agitação, irritabilidade e para tratar outros diagnósticos associados (ansiedade, depressão, etc).
Mesmo não havendo medicamento específico para o transtorno, existe o tratamento multidisciplinar cujo objetivo é desenvolver as habilidades deficitárias do indivíduo, de preferência tão logo quanto o diagnóstico seja feito. Um dos métodos mais conhecidos é o ABA, que vem de Applied Behaviour Analysis (Análise do Comportamento Aplicada). O ABA estimula a aprendizagem da criança por meio de técnicas da psicologia comportamental. Em termos simples, são oferecidas ao paciente recompensas quando ele reproduz com sucesso o comportamento que está sendo ensinado, que pode ser um incentivo à linguagem e à socialização ou uma tentativa de redução de comportamentos inadequados.
Ainda no contexto de tratamento multidisciplinar, temos a fonoterapia e a terapia ocupacional, muito útil no desenvolvimento da coordenação motora e demais habilidades relacionadas ao movimento muscular.

O TEA é um transtorno que acaba por afetar a família inteira e exige dedicação e paciência por parte de pais, familiares e professores. Os desafios são diários, porém, as limitações a que a criança está sujeita tendem a diminuir com o passar do tempo, e com auxílio das terapias multidisciplinares.
Autoria: Tayná
Outubro/2023
Referências:
Tratado de Psiquiatria da Associação Brasileira de Psiquiatria, 2022
Manual do residente de psiquiatria, 2023
Autismo: Guia Essencial para Compreensão e Tratamento, 2019
Imagens disponíveis em:
<https://www.inspiradospeloautismo.com.br/ajudar-pessoas-autismo-lidar-com-fogos-de-artificio/>