Sífilis Congênita

Para entender melhor a sífilis congênita, recomendamos que o leitor veja primeiro o texto de sífilis.

A OMS calcula que a sífilis complique cerca de 1 milhão de gestações por ano no mundo, causando a morte de mais de 300 mil bebês (durante a gravidez ou logo após o nascimento).

Sífilis congênita é o nome dado à infecção transmitida de mãe para filho durante o período gestacional ou no momento do parto (transmissão vertical).

A mãe pode transmitir o treponema ao bebê estando ela em qualquer uma das fases da doença (primária, secundária, latente ou terciária). Os resultados ao feto podem ser catastróficos e incluem abortamento, prematuridade e alterações em diversos sistemas, como veremos adiante.

O CDC (Center for Disease Control) estimou em 1999 que 40% das gestações de mulheres com sífilis precoce não tratada resultam em aborto espontâneo. 70 a 100% das crianças de grávidas não tratadas nascerão com infecção congênita. Ao contrário, gestantes diagnosticadas e tratadas adequadamente têm chance mínima de transmissão ao bebê.

 

Quadro clínico

A maioria dos bebês com sífilis congênita nasce sem sintomas, porém, os mesmos surgem no 1o ou 2o mês de vida. Os mais comuns são: hepatomegalia (fígado aumentado), icterícia (coloração amarelada nos olhos e pele), corrimento nasal, manchas na pele, linfadenopatia (“ínguas”) por todo o corpo e alterações nos ossos. Tanto a secreção nasal quanto as lesões de pele contêm treponemas, por isso são infectantes. Podem ocorrer também lesões no sistema nervoso (neurossífilis).

Após os dois anos de idade, a criança pode desenvolver sintomas da chamada sífilis congênita tardia. Algumas manifestações podem ser evitadas por meio do tratamento da criança nos primeiros 3 meses de vida, mas outras (lesões oculares e ósseas) podem ocorrer a despeito disso. Veja algumas alterações da sífilis congênita tardia: perda auditiva, dentes de Hutchinson (foto), fissuras próximas aos lábios e nariz, atraso no desenvolvimento, hidrocefalia, crises convulsivas, comprometimento intelectual, dentre outras.

                                           

 

Tratamento

Por decisão protocolar do Ministério da Saúde, todas as gestantes do Brasil são testadas para sífilis em pelo menos 3 momentos: na primeira consulta de pré-natal, no início do 3o trimestre e no momento do parto. Isso para que sejam prontamente diagnosticadas e tratadas, reduzindo os impactos no bebê.

O tratamento, tanto da grávida quanto do bebê, se faz com penicilina. As doses e o tipo de penicilina variam conforme alguns critérios. Lembrando que o tratamento adequado da grávida e do recém-nascido previnem a maioria das complicações da sífilis congênita tardia, mas não todas, daí a importância da prevenção da doença.

 

Autoria: Tayná

Janeiro/2022

Fonte:

Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), Ministério da Saúde, 2020.

Imagens disponíveis em:

<http://www.paediatric-dentistry.com/docs/Dentes%20de%20Hutchinson%20e%20Molar%20de%20Mulberry.pdf>

<https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/fisiopatologia>

<https://phil.cdc.gov/Details.aspx?pid=2387>