Pressão Alta

“Pressão alta” é o nome popular de uma doença chamada hipertensão arterial sistêmica (HAS).

Por que é importante falar sobre isso?  Porque a HAS tem relação direta com as doenças cardiovasculares, que são a principal causa de morte no mundo!!

Para você entender melhor, os principais representantes das doenças cardiovasculares são o infarto do coração e o “derrame cerebral” (AVE – acidente vascular encefálico); quem tem pressão alta apresenta maior chance de apresentar tais doenças e quanto maior a pressão, maiores os riscos à saúde.

Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 25% dos brasileiros apresentam HAS sendo que, na população acima dos 65 anos, quase 60% apresentam a doença.

A HAS é considerada um “inimigo silencioso”, pois causa danos de forma assintomática (sem sintomas). Isso quer dizer que muitos pacientes não sabem que têm pressão alta, descobrindo apenas quando um AVE ou um infarto ocorre…

 

A circulação sanguínea

O caminho que o sangue percorre é o seguinte: coração artérias arteríolas capilares vênulas veias coração

 

 

As artérias têm paredes fortes para “aguentar” a alta pressão do sangue bombeado pelo coração. Elas se ramificam e dão origem às arteríolas, que são basicamente artérias menores.

Os capilares são vasos pequenos e delicados que fazem a troca de líquidos (nutrientes, eletrólitos, oxigênio, produtos do metabolismo) entre o sangue e os diversos tecidos do corpo.

As vênulas são pequenas veias que coletam o sangue vindo dos capilares e o envia às veias. Por fim, as veias são os vasos que levam o sangue de volta ao coração para reinício do ciclo.

 

A pressão sanguínea (PA)

A PA nada mais é do que a força que o sangue exerce contra a parede dos vasos sanguíneos. Costuma-se medi-la em milímetros de mercúrio (mmHg).

A pressão é composta por dois valores, o primeiro é chamado de pressão sistólica e corresponde à pressão nos vasos quando o coração contrai; o segundo é o da pressão diastólica, quando o coração encontra-se relaxado.

A pressão varia o tempo todo, a depender do que estamos fazendo. Por exemplo, ela costuma baixar quando estamos dormindo e costuma subir quando fazemos esforço ou atividade física, quando estamos preocupados, ansiosos ou estressados, quando ingerimos muito sal, dentre outros exemplos. Essas elevações transitórias de pressão são normais e acontecem com todos nós. Agora, no caso do indivíduo hipertenso, a pressão encontra-se elevada 100% do tempo e isso é extremamente prejudicial à saúde.

O diagnóstico de HAS se dá quando a pressão medida no consultório médico é igual ou maior a 140x90mmHg.

 

Qual a causa da hipertensão arterial?

A HAS não é explicada por apenas uma causa, pelo contrário, é a união de fatores genéticos e ambientais que determina o aparecimento da doença. Veja abaixo os fatores de risco (fatores que facilitam o aparecimento de uma determinada doença) para a HAS:

– Fatores genéticos: se há casos de HAS na família, a chance de desenvolver a doença é maior

– Sedentarismo: pessoas que não praticam atividade física apresentam risco 30% maior de desenvolver HAS

– Consumo excessivo de sal: quanto maior o consumo de sal de uma população, mais casos de HAS são visualizados.

O brasileiro consome muito sal!! O recomendado pela Sociedade Brasileira de Hipertensão é que o consumo não ultrapasse 5g de sal/dia; o brasileiro consome 12,6g/dia, mais do que o dobro!!

– Sobrepeso/obesidade: a pressão sobe de forma quase linear com o aumento de peso

– Idade: a HAS é mais prevalente em idosos devido a um processo natural de “enrijecimento” dos vasos sanguíneos

– Ingestão excessiva de álcool

– Tabagismo (cigarro, charuto, narguilé)

 

Por que a HAS causa danos ao organismo?

Nossos vasos sanguíneos conseguem “lidar” com aumentos transitórios de pressão sem que isso nos cause algum prejuízo, porém, quando esse aumento é crônico, surgem as lesões. Com o constante e forte “impacto” do sangue na parede dos vasos, surgem pequenas fissuras e diversas alterações locais que acabam por tornar o vaso “doente”.

Um vaso doente associado a fatores como diabetes, obesidade e colesterol elevado, acabam por causar doenças graves no cérebro, coração e rins, todas potencialmente fatais.

A HAS está implicada em doenças como: infarto do coração, insuficiência cardíaca, arritmias cardíacas, alterações estruturais no coração e em suas válvulas, AVE, insuficiência renal, doença nas artérias, demência, cegueira e até mesmo disfunção erétil (“impotência sexual”). Percebe-se, dessa forma, que a pressão cronicamente elevada prejudica o organismo como um todo.

 

Qual o tratamento da HAS?

Certas mudanças no estilo de vida funcionam como tratamento não medicamentoso da HAS. Alimentar-se melhor, praticar atividade física, emagrecer (e manter-se no peso ideal), reduzir a quantidade de sódio ingerida, aumentar a quantidade de potássio ingerida são práticas que reduzem a pressão arterial.

 

Quais são os alimentos ricos em sódio e que, portanto, devem ser evitados?

presuntos, mortadelas, salsichas, linguiças, salames

enlatados (milho, ervilha, extrato de tomate)

queijos amarelos (parmesão, provolone, prato)

temperos prontos, incluindo shoyu, ketchup, mostarda e maionese

chips, salgadinhos, bolachas

 

Quais são os alimentos ricos em potássio e que, portanto, devem ser consumidos com maior frequência:

▪ abacate, melão, laranja, ameixa, tomate

▪ folhas verdes, espinafre

▪ damasco, uva-passa

▪ leite desnatado, iogurte desnatado

▪ peixes (linguado e atum)

▪ feijão, ervilha

 

Ainda em relação à dieta, diminuir o consumo de gorduras, doces, bebidas com açúcar e carnes vermelhas também auxilia na redução da PA.

Imagem: Ministério da Saúde

 

A perda de peso auxilia na redução da pressão mesmo quando o peso ideal não é alcançado.

Para reduzir o comportamento sedentário, recomenda-se que o indivíduo se levante por 5 minutos a cada 30 minutos que passa sentado.

Além disso, recomenda-se a prática mínima de 150 minutos semanais de atividades físicas aeróbicas como natação, corrida e caminhada. Exemplo: correr 30 minutos de segunda a sexta-feira.

 

Para um “incremento” na redução da pressão, pode-se ainda fazer musculação 2-3 vezes por semana.

 

Em relação ao tratamento medicamentoso, existem várias classes de remédios anti-hipertensivos. Porém, para que eles funcionem adequadamente, o paciente deve tomar “certinho” os comprimidos, caso contrário, o tratamento não será efetivo e os riscos de complicações e de morte tornar-se-ão muito elevados.

 

Autoria: Tayná

Julho/2021

Fontes:

Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020

Ministério da Saúde, disponível em: <https://antigo.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45446-no-brasil-388-pessoas-morrem-por-dia-por-hipertensao>

Imagens disponíveis em:

<https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-desenhada-a-mao-para-o-dia-mundial-da-hipertensao_13234250.htm#page=1&query=hipertensao&position=19>

<https://midia.atp.usp.br/impressos/redefor/EnsinoBiologia/Fisio_2011_2012/Fisiologia_v2_semana06.pdf>

<https://drauziovarella.uol.com.br/videos/animacoes/como-funciona-a-hipertensao-animacao-04/>

<https://pixabay.com/pt/photos/sal-saleiro-o-sal-de-mesa-3285024/>

<https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-de-mulher-de-emagrecimento_4187095.htm#page=1&query=obesity&position=16>